Conhecendo a si mesmo com Schopenhauer


Schopenhauer - o filósofo do pessimismo.

Segundo Anatol Rosenfeld, um de seus maiores estudiosos, ele foi o primeiro entre os mais famosos filósofos, em toda a história da filosofia, a proclamar sistematicamente que o âmago do mundo é irracional, fundamentalmente oposto à inteligência e à razão. E isso soou como uma verdadeira revolução na história da filosofia.

O filósofo do pessimismo, tal como é conhecido, opõe-se às teorias filosóficas desde então mais conhecidas e sustentadas por filósofos como Platão e Descartes, como por exemplo a de que o homem não passa de um fantoche agindo de acordo com a vontade de uma força maior, e só encontra semelhança em Kant, talvez o primeiro filósofo a ter certa afinidade com a filosofia de Schopenhauer.

E desde então encontramos ramificações semelhantes em Bérgson e Nietszche, mas de forma a enriquecer ainda mais o pensamento de Schopenhauer. Como por exemplo em Kierkegaard, famoso pela criação do Existencialismo.

Ao contrário de outros filósofos de sua época, profundamente acadêmicos, o filósofo do pessimismo viajava muito. E muitas de suas experiências e inspirações vinham de suas viagens pelo mundo, numa aguda observação do mesmo.


Aos 31 anos ele concluiu sua obra “O mundo como vontade e representação”. Onde descreve o caos e a dor de um mundo que, naquela época, já se via devastado por guerras. Surgindo pela primeira vez na história um espectro do niilismo. Segundo o filósofo, nosso mundo é “o pior dos mundos possíveis”, ao contrário do que dizia Leibniz, afirmando que este mundo é “o melhor dos mundos possíveis”.

Para se ter uma ideia da influência de Schopenhauer, encontramos em um ensaio seu sobre a loucura toda a teoria freudiana dos erros cotidianos, lapsos e esquecimentos casuais, e teoria da repressão e a teoria da fuga para a doença. Ambos acreditam no poder da inteligência, na possibilidade de sublimação e libertação do homem através de suas faculdades racionais. Além disso, Schopenhauer viria a influenciar vários estudantes de filosofia, e também a música de Wagner. Tornando-se até “moda” naquele tempo o pessimismo de sua obra.

E até hoje ainda vemos essa influência impregnar leitores do mundo todo.



Vou falar um pouco sobre o livro “A arte de conhecer a si mesmo”, que contém textos de Schopenhauer, na época escritos em um caderno, e que o filósofo não quis publicar, e até mesmo destruiu o caderno. Mas seu editor o reconstituiu a partir de pesquisas.

Não pense o leitor que encontrará, só por causa do título, um livro parecido com esses de auto-ajuda. Muito pelo contrário, como o filósofo já era conhecido por sua expressividade ácida, talvez o leitor que espere por isso fique meio chocado, ou totalmente, ao ler um livro de conteúdo acima de tudo pessimista, com toques de acidez e misantropia.

Para alguns, soberbo, para outros, insuportável. Cada leitor que tire sua própria conclusão, onde eu finalizo este artigo com uma frase de Schopenhauer presente nesse livro: “Num mundo em que pelo menos cinco sextos das pessoas são canalhas, néscias ou imbecis, é preciso que o retraimento seja a base do sistema de vida de cada indivíduo do outro sexto restante”.


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