A poesia ardente de Indy Sales

A poesia sempre nos reserva grandes surpresas, e a Editora Círculo Soturnos tem me apresentado grandes revelações da literatura maldita nacional. Uma dessas preciosidades da escrita contemporânea chegou em minhas mãos através do livro "Demônio da Guarda" - lançamento da poetiza Indy Sales, que, com seus versos de fogo conseguiu me cativar para sua proposta diabólica.

Seu livro tem versos simples, com poucas rimas. E muitas vezes são diretos e repletos de sentimentos profundos, beirando à loucura e automutilação.


Ela se entrega ao leitor, mostrando o rosto, pronta para o tapa. E após levar a bofetada, exibe um sorriso obsceno, revelando a outra face para o tapa seguinte; provocando o leitor, mostrando que no fundo de seu peito bate um coração renovado, cheio de fúria e fogo, batendo forte, e pronto para dilacerar a alma daquele que o feriu. Seus sentimentos são de um desejo infernal pelo macabro, e nesse caldeirão poético ferve seus encantos e pragas.


"A possibilidade de externar sentimentos de dor, depressão e desamor, de forma livre e natural, me fascinou e também me ajudou a lidar com a minha própria dor, transformando-a em poesia."


Não há nenhum pudor ou medo em dizer que adoraria fazer um pacto com o demônio. Porém, devo dizer, é ela quem encanta, seduz e alimenta nosso desejo em explorar o mistério de sua alma - tão quente e voluptuosa, tão linda e desafiadora -, a tal ponto de despertar no leitor o desejo de fazer (com ela) um pacto infernal.


Eu já tinha lido algo parecido nos versos simbolistas do decadentismo, e aqui vejo uma identificação da autora com a poesia sombria – um redescoberta com a literatura maldita. Chamada de “gótica”, por não haver um termo que possa caracterizá-la melhor, sua escrita vai por esse caminho até se encontrar com o soturnismo presente na maioria dos autores da editora da coruja. Ela mesma menciona seu encontro e identificação com a escrita, neste trecho: “A possibilidade de externar sentimentos de dor, depressão e desamor, de forma livre e natural, me fascinou e também me ajudou a lidar com a minha própria dor, transformando-a em poesia. Sendo assim, decidi não abandonar a literatura gótica e, mesmo após muitos anos, continuo sendo uma apreciadora desse gênero.”.


Por ser um livro curto, não irei transcrever seus textos. Mas destaco o poema que abre a obra, Sangria, com uma declamação que eu mesmo fiz para o quadro “Sarau dos Malditos”, na Soturna Sintonia Webradio, que pode ser conferida no áudio abaixo:



Da mineira Indy Sales, o livro Demônio da Guarda apresenta-se com uma edição fascinante. A capa em cartolina triplex 300g, com acabamento em brilho, protege todo um miolo colorido em papel couchê que surpreende pela qualidade da diagramação. Um trabalho magnífico, com uma poesia inovadora, envolvente e impregnada de beleza.


Disponível na loja da editora: soturnos.com/loja



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