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Meu livro de sonhos

Dicas de como criei o meu, para você que deseja ter um igual.

Vocês sabem como eu faço para enfrentar meus medos e pesadelos?


Descobri que anotar e guardar observações sobre os sonhos que me atormentam em noites mal dormidas é, sem dúvida, uma forma de esclarecer os significados profundos de nossa existência.


É necessário enfrentar nossos medos e, muitas vezes, esses medos vêm em forma de imagens em nossos sonhos, sejam elas assustadoras ou góticas, porque essa é a única maneira que temos de curar nós mesmos dos pesadelos. Através dessa crença percebi uma oportunidade de resolver meus problemas na vida real. Encontrei, por exemplo, em meus pesadelos, uma forma de interpretá-los. Especialmente seus símbolos, porque os símbolos são os nossos medos.


Ficou bastante claro para mim que é possível curar meus pesadelos através de técnicas de sonhos lúcidos – estando ciente de que eu estou em um sonho. E essa técnica eu consegui da seguinte forma: primeiro eu me esforço para me lembrar do meu sonho (antes de dormir me convenço de que vou me lembrar). Outra forma bastante prática é acordar com os olhos fechados. Passei a me convencer de que é possível acordar de manhã com os olhos fechados e, por isso, quando acordo vejo o último flash do meu sonho, e então a partir daí posso me lembrar do que sonhei.



Para tornar essa prática mais fácil adotei um livro que chamo de “o livro gótico do sonho”, que é esse da foto. Trata-se de um caderno bem grosso de capa dura, com as folhas todas em branco. Mas vocês podem utilizar qualquer tipo de caderno. Nesse livro escrevo tudo o que me lembro depois do sonho: símbolos, imagens, sons, palavras, etc... E com o tempo passei a me lembrar dos sonhos, mesmo estando no meio de uma vida rotineira, pois nunca sei quando virá a lembrança. Uma boa dica é acordar lentamente; não é uma boa ideia pular da cama logo depois de acordar, é preciso dar um tempo a si mesmo para acordar.


O ideal é limpar a mente antes de ir dormir, e essa é uma tarefa bem difícil devido aos problemas e preocupações que enfrentamos todos os dias. Para resolver essa dificuldade utilizo uma técnica bastante satisfatória: vou lembrando em sentido inverso sobre o meu dia, ou seja, memorizo o que fiz durante o dia em recuo (o que fiz na última hora, no início da noite, no meio-dia, no trabalho, de manhã, como acordei, o que sonhei na noite passada e assim por diante. Porque a maioria dos sonhos é baseada no que nós fazemos antes de ir dormir.


Se eu consigo, você também pode conseguir. Algo que facilita muito é ter também um símbolo. Eu tenho um que chamo de “símbolo gótico”. Recomendo que você use esse símbolo de forma pessoal, não compartilhe com ninguém, e dê a ele o nome que desejar, assim como eu fiz com o meu. Pode ser uma estrela ou lua ou qualquer outra coisa que você gosta. Tente concentrar a sua atenção nisso antes de dormir, e enquanto você sonhar, seu símbolo vai despertar a sua consciência como se fosse um alerta (uma espécie de alarme que faz para despertar medo, por exemplo – que faz você acordar, como num pesadelo, ou através de um ruído em sua volta, luzes e outras coisas), e certifique-se de que, no sonho você tem um pé na realidade e o outro no próprio sonho.


Já ocorreu, enquanto eu estava no meio do sonho, de repente acordar. Isso ocorre quando nosso cérebro funciona sem sono, estando em alerta. Para evitar isso, eu ponho um objeto do lado da cama (que por acaso é o símbolo que utilizo) e olho para ele por alguns segundos até voltar a dormir. Isso sempre dá certo! Funciona como um símbolo que alimenta minha crença e força no fato de que vou continuar dormindo e sonhando. É perfeito para quem sofre de insônia ou não consegue dormir depois de um pesadelo terrível.


Mas é preciso tomar muito cuidado, porque essa experiência com os sonhos pode evoluir para o grau da loucura. Já me encontrei em situações no meio da noite, por exemplo, em que me perguntava se estava em um sonho lúcido ou na vida real. O sonho lúcido é tão verdadeiro quanto o seu uso em todos os sentidos: visão, audição, olfato e paladar, e até mesmo em sentimentos como: amor, ódio, prazer e raiva. Sendo assim, como saber a diferença? Bem, o que posso dizer é que no sonho lúcido não há paradoxos frequentes, eu precisei estar ciente disso e passei a tentar reconhecê-los.


Na maior parte do tempo os paradoxos que eu não via, desde o início eram a razão pela qual era tão difícil dizer onde eu estava. Quando isso acontece, eu espero um tempo até finalmente encontrá-los. E assim consigo me manter longe da insanidade.


O filósofo chinês Chuang-Tzu já dizia: “Uma noite eu sonhei que eu era uma borboleta, vibrei aqui e acolá, o conteúdo com o todo. De repente acordei e fui Chuang-Tzu novamente. Quem sou eu na realidade? Uma borboleta sonhando que sou Chuang-Tzu ou Chuang-Tzu imaginando que sou uma borboleta”?



Você sabia?

A palavra nightmare, que em língua inglesa significa “pesadelo” dizia respeito, há quatrocentos anos, exatamente a um demônio que vinha e sufocava as pessoas enquanto dormiam.


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