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Versos Proibidos - análise pessoal

Vou abrir o primeiro post do ano com uma resenha sobre Versos Proibidos. Falar de meu próprio livro não é uma tarefa fácil, eu já sabia disso ao incluí-lo na seção de resenhas do meu site. O ideal mesmo é ter a análise de outros leitores, porque assim eu posso ver através de outros olhos o que foi sentido e experimentado durante a leitura.


De qualquer forma, creio que posso demonstrar sobre do que se trata a proposta da obra, e assim os leitores poderão concluir se concordam ou não com o que eu apresentei.

Reuni nesse livro diversos poemas publicados entre 1999 e 2019 em livros independentes, revistas e sites. Portanto, muitos textos já eram de conhecimento de meus leitores. Minha intenção com isso foi fechar um ciclo em minha vida – uma fase, talvez – em que a poesia se fez presente e se apresentou a mim pela primeira vez. Os textos variam por temas melancólicos e sociais, passando por temas sombrios, até abraçarem toques mais ousados em capítulos cheios de erotismo e magia.


O título Versos Proibidos significa a reprovação da poesia em minha vida através dos outros. São poemas que, de forma ingênua, comecei a escrever na adolescência e fui melhorando com o tempo.


Escolhi um caminho difícil na literatura. Eu poderia falar de amor, flores e cores; tentar agradar as pessoas e, com isso, obter mais aprovação. Mas a poesia representa (ao menos comigo foi assim) o que vemos e sentimos ao nosso redor, e eu escrevi versos de sentimentos sinceros; testemunhei a tristeza ao meu redor. Portanto, eu não estaria sendo verdadeiro se escrevesse sobre sentimentos alegres e coloridos – a vida não foi assim comigo. E talvez por isso muitos se identificam com o que escrevo, porque a quantidade de brasileiros que vivem sentimentos semelhantes é muito grande. Para ilustrar esse exemplo, transcrevo abaixo o poema Mar Tenebroso – o soneto que mais correspondeu aos sentimentos de muitos de meus leitores:


O vazio que me inunda é preenchido Pelas águas negras do pesar, Mas nesse mar dou-me por vencido. Quero no dilúvio me afogar.

O mar tenebroso tem a vida Dos mil ecos de lamentações, E eu velejo em sua treva proibida Entre as névoas das assombrações.

Tenho como guia sua maldição, Ela vive na morta canção E eu sigo o seu terrível chamado.


Tão profundo mar, além de mim,

É o meu próprio abismo, não tem fim,

Abriga o que eu tenho me tornado.



Quando comecei a escrever, não fazia por rebeldia ou por seguir algum tipo de ideologia. E o livro Versos Proibidos, apesar de ter passagens de revolta social, não reflete ideias políticas ou religiosas. E em tudo o que escrevo sigo apenas os meus sentimentos e gostos pessoais pelo sombrio, macabro e sobrenatural. A diferença de hoje para os primeiros anos de literatura em minha vida, é que inicialmente eu achava tudo muito natural. Eu era “mais puro” naquilo que escrevia. E achava, ingenuamente, que não ofenderia ninguém com minhas criações tenebrosas. Pelo contrário, gostava de compartilhar meus escritos com as pessoas, e achava que isso estava sendo o máximo! Mas, com o tempo, fui percebendo que muitas pessoas não se sentiam à vontade com meus poemas; sentimentos sinceros de revolta social, versos tenebrosos, macabros e temas sobrenaturais estavam voltados para leitores de um certo nicho literário, e não para todos.


Somente a partir de 2011 que comecei a escrever para um público mais específico, e isso contribuiu bastante para o desenvolvimento de minha escrita. Os leitores compartilham seus gêneros preferidos com outras pessoas de um mesmo grupo, e a análise de uma obra torna-se mais rica e sincera. Se eu continuasse escrevendo de forma ingênua, continuaria recebendo classificações de conceitos sem uma análise de leitor, mas apenas opiniões, que era o que vinha acontecendo.




Em muitos poemas desse livro o leitor encontra rimas em ordens variadas. Eu tenho uma predileção por baladas, que são composições compostas por três oitavas e uma quadra, e isso pode ser visto claramente no capítulo Anjo Vadio, em que usei a ordem mais simples para as rimas: ABAB.


Também foram usadas algumas métricas para os versos, mas não fui tão rígido ao longo do livro, deixando alguns poemas até mesmo em versos livres. Com exceção do capítulo A Grande Arte, que, à primeira vista pode parecer que seus poemas são bem simples. Em sua maioria são curtos, mas a composição poética deles foi mais complexa. Utilizei sonetos com a ordem de rimas: ABAB ABAB CCD CCD. E na métrica, construí versos octossílabos, acrescentando ritmos que deixam a sílaba tônica sempre na terceira e última sílaba em todos os poemas.



Conclui-se que eu não tenho um estilo de escrita para a construção dos poemas. Gosto de usar a criatividade, mas sempre de uma forma que dê ritmo aos versos. O que eu não gosto é a construção ao estilo do modernismo – uma cultura que pouco me agrada. Também não me considero romântico, parnasiano ou simbolista. Ainda não tenho um estilo que defina minha obra. Mas, sem dúvida, sou um soturno.


Para os que apreciam uma poesia com elementos de terror, climas sombrios e propostas da literatura maldita, este livro vai agradar por seu teor profundamente melancólico. E é justamente por ser um livro maldito, sem muitos elementos fictícios por trás de suas emoções, que o torna proibido para os padrões morais e dos bons costumes da sociedade. Poemas como Oração da suicida e Ratos pestilentos estão entre os que mais geraram polêmica nesta época de hipocrisia e corrupção.


Eu não me considero um defensor de qualquer causa dentro da literatura. Meu maior fascínio é mergulhar nos profundos abismos da alma, e de lá extrair uma experiência sobrenatural de toda a loucura e mistério do mundo das trevas. Versos Proibidos está longe de ser uma realização desse meu ideal, mas já é um bom começo.



LIVRO VERSOS PROIBIDOS

EDITORA: Círculo Soturnos

ANO: 2020

PÁGINAS: 170

ISBN: 978-85-94294-63-0

TIPO: Impresso

ONDE COMPRAR: soturnos.com/loja

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