O último romance de Edgar Allan Poe

E-book gratuito com o romance de Poe

Ilustração para "A narrativa de A. Gordon Pym".

Como um autêntico romântico o escritor americano Edgar Allan Poe morreu pobre e bêbado, em 1849, com pouco mais de 40 anos. Tido como o inventor da literatura de mistério, deixou dezenas de textos em prosa e verso, um poema extraordinário – “O corvo” – e um único romance: “A narrativa de A. Gordon Pym”.


O grande romancista russo, Fiodor Dostoievski, escreveu em 1861 que considera que “nos contos de Poe vocês veem intensamente todas as minúcias da imagem ou do acontecimento apresentados, a tal ponto que finalmente acabam por se convencer da sua possibilidade ou realidade, quando na verdade esse acontecimento é praticamente impossível (...)”.


Alguns trechos lembram um manual de navegação


De fato, no caso das desventuras marítimas de Arthur Pym – primeira narrativa em prosa publicada por Poe – não dá para encarar o relato como um fato real, conforme é apresentado no prefácio, tal o absurdo das peripécias descritas. Por outro lado, o esforço do autor em tentar compor, na sua carpintaria, uma atmosfera de verossimilhança com vistas a enredar os leitores chega a ser comovente. Certos trechos, ricos em palavras do tipo “massame”, “bujarrona” e “traquete”, lembram um manual de navegação. Outros, na descrição de paisagens exóticas que Poe nunca viu, um documentário do Discovery Channel.


Mas fazia parte do gosto da época. Os leitores eram ávidos por histórias desse tipo, sobretudo quando recheadas por cenas assombrosas e paroxísticas, como é o caso de Gordon Pym. Segundo um dos seus biógrafos, Hervey Allen, Poe escreveu o romance por sugestão do editor J. K. Paulding, com a finalidade precípua de levantar fundos que o livrassem da sua crônica situação de penúria. Nascido em Boston, Nova Inglaterra, vivera em Richmond experiência de jornalista como redator do “Southern Literary Messenger”. Aos 27 anos aportou em Nova York, acompanhado da mulher, Virginia, tuberculosa, e de sua prestativa sogra, Mary Clemm, com planos de fundar uma revista e projetar-se como escritor. Até então publicara três livros de poemas, de pouca repercussão. Em Nova York, seus contos cheios de estranheza eram sistematicamente recusados pelos editores.


Lançada em 1838, “A narrativa de A. Gordon Pym” passou despercebida. Poe só conseguiu ascender ao panteão da fama e da respeitabilidade como escritor com a publicação de “O corvo”, em 1845. Ao que parece, não sabia que pisava o primeiro degrau da glória. Conta o famoso poeta francês, Baudelaire, que, no mesmo dia em que o poema apareceu estampado no “Evening Mirror”, causando impacto e mudando a partir daí o curso da vida do escritor, ele foi visto atravessando a Broadway, cambaleante. Jamais conseguiu livrar-se do álcool. Nos últimos anos, sua vida foi um esforço de equilíbrio entre o delirium tremens e a lucidez necessária para escrever e dar conferências. De todo modo, ao lado de Herman Melvile (“Moby Dick”) e Nathaniel Hawtorne (“A letra escarlate”), é hoje considerado um dos pais-fundadores da literatura americana.


Se formos comparar “Gordon Pym” com “Moby Dick”, o romance de Poe perde por nocaute nos quesitos beleza e transcendência. Mas vislumbra-se nele um estilo que vai-se impor. O confinamento do personagem ao porão do navio remete a uma ideia fixa do escritor, explorada em outros textos. Uma detalhada cena de canibalismo e a morbidez na descrição de doenças e de cadáveres putrefatos trazem também a sua marca.



Poe valeu-se do cientificismo para explicar sua literatura


Seguindo com o raciocínio de Dostoievski, é tentador encarar-se não apenas Gordon Pym, mas toda a obra de Poe como um genial exercício de convencimento. Num ensaio famoso, “Filosofia da composição”, ele tenta explicar o inexplicável: o que levaria um escritor de bom senso a engendrar um diálogo entre um corvo falante e um senhor solitário. Quando era o caso, Poe valia-se dos cânones do cientificismo, em voga na época, para justificar ou tornar mais palatáveis os seus, digamos, efeitos especiais. O fato é que com suas criações fantásticas deve ter tocado algum ponto sensível do que se chama inconsciente coletivo, deixando obra perdurável e influenciando escritores do mundo inteiro.


Machado de Assis, autor da primeira tradução de “O corvo” no Brasil, foi um deles. E não devemos esquecer, no rol dos admiradores, outro poeta importante cuja vida, em matéria de tristeza, foi quase uma réplica da de Poe: Augusto dos Anjos. Quando este faz menção, num de seus poemas, às “asas de corvos carniceiros”, presta decerto uma homenagem a Poe, e mesmo ao mudar o nome da ave em outro poema, adaptando-a à fauna dos trópicos – “um urubu pousou na minha sorte” – deixa patente, ainda, a influência do escritor americano.


Clique abaixo para baixar o romance de Poe: A narrativa de A. Gordon Pym.


- baixar e-book gratuito -


25 visualizações
Circulo Soturnos Logo Coruja.png

SIGA-ME

  • Facebook
  • Instagram

© Sr. Arcano - SITE OFICIAL DO AUTOR - Todos os direitos reservados.